quarta-feira, 23 de novembro de 2011

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Disfarces

todas

as

frutas



inclusive

as

bichadas



têm

direito

a

um

lugar

no

vergel




não

podem



com

a

desfaçatez

da

venenosa

erva



lesar

a

beleza

seletiva

da

seifa

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Disfarces

canto

para

minar

o

cansaço

do

compasso

de

espera


trino

para

eletrizar

o

silêncio

no

grito

das

esferas


oro

para

a

aurora

anunciada

iluminar

a

vitória

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Disfarces

o
poema
vale
a
pena
ainda
se
a
alma
é
pequena

ascende
o
tom
das
vozes
no
silêncio
surdo
dos
seres

apaga
a
feição
fática
que
esboça
o
verso
servil

rabisca
a
rima
que
jamais
seria
de
luta
não
fosse
o
groove
grave
da
greve

grávida
de
sons
&
sonhos
afins

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Disfarces ou

submundo legalizado

os
vermes
se
embriagam
de
dejetos
&
desejos
podres

eles
bebem
&
festejam
o
vômito
verbal
de
seu
amado
mestre
das
tramas

no
lodo
corrupto
em
que
se
borram
de
medo

os
seus
olhos
sombrios
&
falaciosos
chispam

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Disfarces

por
trás
da
lente
escura

a
mente
cega
do
poder
delira
rojões
motins
revoluções

o
pirulito
passeia
audaz
pela
boca
que
anuncia
a
paz
que
nos
guia

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Disfarces

saiu

de

fininho

pela

porta

entreaberta

do

medo


carregava

consigo

o

que


não

era

segredo


restou

apenas

o

rastro

luzidio

dos

vermes

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Disfarces

diz
que
me
ama
e
assoa
o nariz

tão
real
que
soa
infeliz

rio
feito
quem
sabe
e
se
cala

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

súbito sumiço da musa

súbito
some
a
musa
súbita

nada
acusa
sua
presença
na
página

nem
a
música

o
verso
que
escrevo
cifra
sua
ausência
na
cena

seu
sabor
de
musa
súbito
salta

sabe
a
palavra

segunda-feira, 11 de julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

musa súbita

a
tatuagem
-
do
cangote
à
espádua
da
galega
-
é
paisagem

as
madeixas
louras
que
saltam
soltas
em
suas
costas
são
miragens

o
sabor
de
ameixa
e
o
olor
rosáceo
do
seu
sexo
são
selvagens

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Musa súbita

na
noite
em
que
quase
foi
minha

pedia
estórias
e

havia
poesia

queria
ação
e

havia
magia

depois
se
foi
intacta
pela
manhã
vadia

terça-feira, 31 de maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Musa súbita

da

primeira

vez

a

impressão

de

que

tudo

está

aquém

de

ti



da

segunda

vez

a

intuição

de

fugir

ao

teu

disfarce

de

cisne



da

terceira

vez

a

opção

de

ficar

em

silêncio

e

domingo, 3 de abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

memória mágica VIII

vi pela fresta da porta a capa vermelha, o cesto de palha, o sexo singelo, a forma de fada. não lembro em que agora quis saber dos meus lábios, narinas e orelhas. não lembro em que hora pediu: me devora!

quarta-feira, 23 de março de 2011

dia agnóstico

o
clínico
cínico
era
um
risco
no
disco
rígido
do
cérebro
:
rim
ruim
fígado
notívago
pâncrea
pândego
intestino
estático
sua
voz
ousando
versos
sonoros
tudo
tão
distante
tão
distinto
pedi
de
pirlimpimpim
mas
sininho
havia
sumido
com
a
seringa
de
soro
lisérgico
e
peter
pan
que
sacrilégio
desligara
a
vitrola
antes
que
se
soubesse
se
era
roque
ou
réquiem
o
som
que
rolara
no
dial

quinta-feira, 17 de março de 2011

memória mágica VII

não

sei

se

estava

na

prússia

ou

na

trácia

quando

rapunzel

lançou

as

belas

tranças





achei

que

valia

à

pena

escalar

suas

melenas

e

ficar

cego

na

cena





mas


estava

na

pérsia

e

sherazarde




sem

pressa




me

levou

na

conversa

com

uma

história

sem

fim

sexta-feira, 11 de março de 2011

memória mágica VI

quando
ella
speed
veio
se
despedir
fez
jura
que
a
magia
das
alturas
logo
a
traria
pra
mim
não
veio
até
agora
e
decerto
o
corvo
que
gralha
fora
levará
embora
o
que
dela
restou
aqui

terça-feira, 8 de março de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

memória mágica IV

polegar
com
as
botas
7
léguas
do
gigante

eu
com
as
botas
do
marquês
de
carabás


sal
ta
mos
juntos
das
montanhas
de
sonora

dom
juan
e
dom
genaro
espreitavam

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

memória mágica II

nem
os
três
porquinhos

nem
as
três
casinhas

nem
o
mau lobinho

apenas
o
vento

destelhando
casas

implodindo
lobos

me
leva
embora

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Lero com o leitor 5

como
alpiste
desde
o
dia
em
que
me
ordenou
tal
tolice

e
agora
não
importa
seu
silêncio
ou
seu
palpite

nem
sua
crendice
em
sentido
que
se
explique

e
por
pura
mesmice
seguirei
rabiscando
o
que
lhe
parece
nonsense

mas
lhe
digo
sem
embuste
:
se
não
criar
meus
repentes
não
chegarei
a
velhice

acredite

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Lero com o leitor 4

insistiu
que
o
sentido
é
o
seu
limite
e
que
nem
mesmo
um
dedo
em
riste
lhe
faria
dar
palpites

falei
que
na
poesia
o
sentido
suspenso
suspira
e
importa
muito
um
desvario
que
decifre
o
grafite

me
mandou
comer
alpiste

passarinho
que
sou
nem
ao
menos
fiquei
triste


domingo, 30 de janeiro de 2011

lero com o leitor 3

nem
ligou
pro
queu
disse

achava
tudo
tolice
quase
sempre
um
despiste

lia
porque
queria
saber
se
valia
à
pena
a
poesia

não
se
importava
se
alguma
coisa
eu
calava
ou
dizia

nem
queria
expor
o
que
pensava
ou
sentia

eu
disse
:
fale
então
sobre
o
que
não
pensa
ou
sente


se
permite
o
apalpar
do
palpite

ouvi
quando
baixinho
disse
:
vou
até
onde
o
sentido
admite

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

lero com o leitor 2

eu
lhe
disse
:
vai
insiste

não
é
nada
que
lhe
custe
+ q 1
chiste
ou
- q 1
fetiche

falei
mais
:
não
desiste

a
palavra
é
o
que
resiste
no
que
lhe
posso
dar
de
alvitre

persiste
vai

critica
este
rap
repente
na
paz
do
pastiche

meu
derviche

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Lero com o leitor

eu
lhe
disse
:
comenta
diz
o
que
acha
ou
sente
quando
meus
repentes

o
silêncio
foi
desconcertante
feito
uma
resposta
distante

pensei
:
não
importa
nada
em
mim
é
urgente

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Memória mágica I

em OZ

não fui

homem de lata

homem de palha

ou leão covarde


nem fui

voz de mágico

ensinando que os tijolos

são o elo

entre o real e o irreal

do amarelo


não fui bruxa

do leste ou do oeste

nem Totó ou Dorothy

nem balão ou estrada


fui mais o eterno sorriso

do gato de Alice

num país encantado

de uma outra estória

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

goteira da memória

chove de novo em porto velho
e se faz plúmbeo o verso mais singelo

as lembranças içadas de outrora
são feitas de crianças rindo rio afora

a paisagem se lambuza de manga
e refaz as ruas alagadas de calama

teço finos de recordações futuras
neste pretérito presente que se mistura

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

sétimo

às
sete
horas

chegado
em
casa
e
tomado
banho
achou
estranho
a
gaita
ponto
de
borghetti
a
pontear
a
sétima
do
pontal

no
sétimo
andar
ainda
era
dia
sete

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

terceiro

três
tristes
tigres
sem
dentes
batem
a porta
do
dentista
às
três
da
tarde
do
dia
três

três
beijos
pra
casar
de
boca
banguela

azar

seja
tigre
de
benguela
ou
de
bengala

o
dentista
deu
três
suspiros
e
a
tarde
sumiu

sábado, 1 de janeiro de 2011